terça-feira, 20 de agosto de 2013

Perdi minha vó há pouco menos de um mês. Perdi o chão! Fiquei com medo da Maria sentir saudades, ou até mesmo ficar doentinha, porque as duas eram um grude que só vendo!
Mas os bebês e as crianças tem muito mais sabedoria que nós. Ela aceitou; passou ainda alguns dias indo dar boa noite ou bom dia na cama da bisa e vinha me contando que "Babau Vovó".
Não dá pra ficar sentindo raiva ou ficar na fossa eternamente. Cada um vive o luto a sua maneira. Eu tenho catado os caquinhos do meu coração dia-a-dia.
Sorte a minha é poder ver a vó viva no semblante trigueiro da minha menina, na disposição pro trabalho que minha mãe tem e dentro de mim a voz dela que dizia: "Você tem que ter calma! Ela já pega o jeito da vida".
As avós e as bisavós parece que carregam uma sabedoria milenar: tudo que é demais, estraga! O bebê recém-nascido gosta de ficar enroladinho para se sentir protegido. Leve essa menina no sol da manhã pra ela crescer com os ossos fortes! E com o tempo você também pega o jeito dela, Luiza!
Além da bisavó da Maria, acredito que ela foi a primeira companhia pras bagunças dela. Foi ela quem ensinou minha moça a chutar bola, e se a Maria aprendeu a andar tão rápido e com tanta habilidade, eu devo isso a ela, às brincadeiras intuitivas da minha querida vozinha.
A Maria aprendeu a abrir gavetas e torneiras, mexer em tudo, gostar de ouvir rádio, gostar de ir a Igreja, cantar "Mãezinha do Céu", com ela, nossa matriarca.
Quando minha família soube da minha gravidez foi um  Deus nos acuda! Mas ela me olhou com tanta doçura e alegria que meu coração que estava tremendo de medo e de dúvida se acalmou. Talvez seja por isso que a Maria quando muito bebê se derretia ao ouvir a bisa cantando:  "Neném da vovó, nenenzinha da vovó...". Quantas vezes a minha princesa dormiu embalada pelas saias da minha vó, quantas vezes ela veio correndo por um choro de cólica e pegou a Maria do meu colo, a enrolou num cueirinho e cantou para que ela se acalmasse.
Enquanto eu comprei um livro de papinhas e sopinhas para bebês, a primeira comidinha que a Maria amou de verdade foi feita com a simplicidade das mãos dela. E primeira gargalhada da Maria foi para mim e a para ela. Sempre falando: "Você tem que filmar isso... Você tá filmando? Tire foto então!", e lá eu ia buscar a câmera: "Vó, segura ela ai, que eu vou pegar a câmera". Que delicia foram aqueles meses de companheirismo e de dedicação, eu fiquei mais próxima da minha vó do que jamais poderia imaginar!
E ainda bem que a minha Maria não é uma polaca azeda, branquela sem graça como eu, e sim, uma bela moreninha, trigueira, pelezinha beijada pelo Sol e de cabelos negros como a minha vó. Agradeço ter podido tê-la sempre por perto desde que a Maria nasceu, porque assim sempre que eu olho pra minha princesa, eu posso lembrar com alegria da pessoa que me ensinou a ser mãe.


Um comentário:

  1. Lindo Lu! Com certeza sua avó vai estar sempre te guiando nessa jornada da maternidade, esteja ela onde estiver!

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